domingo, 30 de setembro de 2012

Sobre ciência e criatividade

"O cientista criativo tem muito em comum com o artista e o poeta. O pensamento lógico e a capacidade analítica são atributos necessários de um cientista, mas estão longe de ser suficientes para o trabalho criativo. Na ciência, as percepções que levam aos grandes avanços operam no nível do subconsciente. A ciência morreria se todos os cientistas fossem simples operadores de instrumentos e se não houvesse entre eles os sonhadores."

[Leo Szilard]

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Reflexões sobre o problema da segurança pública no Brasil


Algumas reflexões, principalmente em época de eleições, sempre vêm à tona. Essa eu resolvi registrar aqui. Existem pessoas que acreditam mesmo que a solução do problema de segurança pública no Brasil passa pelo fortalecimento do mecanismo repressor do Estado, materializado na forma da polícia, principalmente. Ora, essas pessoas não são poucas e votam. Por isso a "questão da segurança" é figura de linguagem presente na maioria dos discursos de candidatos políticos em toda eleição. Mas, pense um pouco. Ou eu estou redondamente enganado, ou não existe, pelo menos no que se vê na mídia, preocupação em entender, ou mesmo mostrar, as causas desse problema. E isso é impressionante porque o raciocínio é muito mais que óbvio. Quantos menores de idade que frequentam as melhores escolas particulares são aliciados pelo tráfico de drogas? Qual é o percentual de assaltantes que são oriundos dos bairros mais nobres, onde as pessoas possuem alta renda? Na faixa de idade entre adolescência e juventude, quantos morrem vítimas de assassinato nos condomínios mais ricos? Eu não sei o valor dessa estatística, mas eu (e você) posso (podemos) afirmar com certeza absoluta que é ínfima, quase nula. Então chegamos a uma conclusão que chega a ser ridícula de tão simples: o problema da segurança se origina do abismo social que existe nesse país. 
Quem quiser me contestar que me convença que uma criança que nasce numa favela e que no futuro vai se tornar um delinquente tem total responsabilidade pelo seu comportamento. Logo ao nascer ela já decidiu que iria ser "soldado do tráfico"? Vamos a outro exercício de raciocínio. Uma criança que nasce nessas condições já carrega o peso da discriminação desde cedo. Ela vê o mundo a tratar como inferior, até como uma ameaça. O Estado a nega educação, saúde, moradia digna, lazer.  Ao longo do tempo e da convivência com essa realidade, que é brutal, que caminhos ela vai seguir? De passagem podemos relembrar que a infância é o estágio da vida que tem a maior influência na formação do caráter e da personalidade do indivíduo. Dado esse problema, é plausível que a solução mais eficaz seja o fortalecimento dos órgãos repressores do Estado? Para mim isso é um dos maiores absurdos dessa época recente do Brasil. 
Eu ainda questiono: e por que não o Estado ser punido? Por que não a cada acréscimo nas estatísticas de violência numa dada localidade fosse o Estado obrigado a investir um percentual do PIB em educação, saúde, etc na dita localidade. Por que não? E se o mandado dos políticos eleitos por cada localidade fosse dependente dos índices sociais da região? Por exemplo, uma piora dos índices sociais (com respeito a atendimento nos hospitais, qualidade das escolas, etc) levasse a uma cassação de mandato? Já passou da hora de mudar o foco de como isso é discutido nessa sociedade.