terça-feira, 27 de dezembro de 2011

César



















Aqui, o que deixaram os punhais.
Aqui essa pobre coisa, um homem morto
que se chamava César. Aberto;
nas crateras da carne, os metais.
Aqui o atroz, aqui a detida
máquina usada ontem para a glória,
para escrever e executar a história
e para o gozo pleno da vida.
Aqui também o outro, aquele prudente
imperador que declinou medalhas,
que comandou barcos e batalhas
e que regeu o oriente e o poente.
Aqui também o outro, o que virá
cuja grande sombra o mundo inteiro será.

[Jorge Luis Borges]

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