sábado, 9 de abril de 2011

Vergonha do Sete



Por Cristovam Buarque,

No século XIX, Victor Hugo se negou a apertar a mão de D. Pedro II, porque era o Imperador de um país que convivia naturalmente com a escravidão. Hoje, Victor Hugo não apertaria a mão de um brasileiro para parabenizá-lo pela conquista da 7ª posição entre as potências econômicas mundiais, convivendo com total naturalidade com a tragédia social ao redor. Estamos à frente de todos os países do mundo, menos seis deles, no valor da nossa produção, mas não nos preocupamos por estarmos, segundo a Unesco, em 88º lugar em educação.

Somos o sétimo no valor do PIB, mas ignoramos que, segundo o FMI, somos o 55º país no valor de renda per capita, fazendo com que sejamos uma potência habitada por pobres. Mais grave: não vemos que, segundo o Banco Mundial, somos o 8º pior país do mundo em termos de concentração de renda, melhor apenas do que a Guatemala, Suazilândia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto e Namíbia.

Somos a sétima economia do mundo, mas de acordo com a Transparência Internacional estamos em 69º lugar na ordem dos países com ética na política por causa da corrupção. A nota ideal é 10, o Brasil tem nota 3,7.

Somos a sétima potência em produção, mas, quando olhamos o perfil da produção, constatamos que há décadas exportamos quase o mesmo tipo de bens e continuamos importando os produtos modernos da ciência e da tecnologia. Somos um dos maiores produtores de automóveis e temos uma das maiores populações de flanelinhas fora da escola.

Um relatório da Unesco divulgado em março mostra que a maioria dos adultos analfabetos vive em apenas dez países. O Brasil é um deles, com 14 milhões; com o agravante de que, no Brasil, eles nem ao menos reconhecem a própria bandeira. De 1889 até hoje, chegamos à sétima posição mundial na economia, mas temos quase três vezes mais brasileiros adultos iletrados, do que tínhamos naquele ano; além de 30 a 40 milhões de analfabetos funcionais. Somos a sétima economia e não temos um único prêmio Nobel.

Segundo um estudo da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que pesquisou 46 países, o Brasil fica em último lugar em percentagem de jovens terminando o ensino médio. Estamos ainda piores quando levamos em conta a qualificação necessária para enfrentar os desafios do século XXI. Segundo a OIT, a remuneração de nossos professores está atrás de países como México, Portugal, Itália, Polônia, Lituânia, Látvia, Filipinas; a formação e a dedicação deles provavelmente em posição ainda mais desfavorável, por causa da péssima qualidade das escolas onde são obrigados a lecionar. Somos a 7ª potência econômica, mas a permanência de nossas crianças na escola, em horas por dia, dias por ano e anos por vida está entre as piores de todo o mundo. Além de que temos, certamente, a maior desigualdade na formação de cada pessoa, conforme a renda de seus pais. Os brasileiros dos 10% mais ricos recebem investimento educacional cerca de 20 vezes maior do que os 10% mais pobres.

Somos a sétima potência, mas temos doenças como a dengue, a malária, a doença de chagas e leishmaniose. Temos 22% de nossa população sem água encanada e mais da metade sem serviço de saneamento. Segundo o IBGE, 43% dos domicílios brasileiros, 25 milhões, não são considerados adequados para moradia; não têm simultaneamente abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo.

Esta dicotomia entre uma das economias mais ricas do mundo e um mundo social entre os mais pobres, só se explica porque nosso projeto de nação é sem lógica, sem previsão e sem ética. Sem lógica, porque não percebemos que “país rico é país sem pobreza”, como diz a presidenta Dilma. Sem previsão, por não percebermos a grande, mas atrasada economia que temos, incapaz de seguir em frente na concorrência com a economia do conhecimento que está implantada em países com menor riqueza e mais futuro. E sem ética, porque comemoramos a posição na economia esquecendo as vergonhas que temos no social.


[Cristovam Buarque é Professor da UnB e Senador pelo PDT-DF. Art. J. O Globo - 09/04/2011]

Um comentário:

  1. O desinformado político Cristovam Buarque (talvez, por conveniência; ou inculto mesmo, se preferirem), que no passado praticamente destruiu a Universidade de Brasília, e que hoje vive acumulando escandalosas aposentadorias às custas dos sofridos contribuintes brasileiros, está sempre expelindo discursos demagógicos, porém reveladores de seu sofrível caráter politiqueiro. Agora procura atacar, em um artigo de sua autoria, o maior estadista brasileiro, na sua época admirado e respeitado por todos os governantes do mundo.

    Cristovam Buarque não sabe, ou desonestamente esconde saber o que qualquer bom francês esclarecido hoje sabe, que em 1871, quando se despedia do republicano Victor Hugo, após uma de suas visitas ao poeta que testemunhava publicamente sua admiração pelo Imperador do Brasil, D. Pedro II ouviu dele essas palavras:

    - Felizmente não temos na Europa um monarca como Vossa Majestade.

    - Por que? (perguntou Dom Pedro II).

    Victor Hugo respondeu:

    - Se houvesse, não existiria um só republicano.

    Outro amigo de Victor Hugo também testemunhou sua admiração por D. Pedro II, como saber qualque bom francês e também podemos constatar no Livro Revivendo o Brasil Império, de Leopoldo Bibiano Xavier:

    "Em 1871, quando fez sua primeira viagem à França, D. Pedro II recebeu com viva simpatia o ilustre professor Adolphe Franck do Instituto da França, autor do Dicionário Filosófico,. A partir desse dia, cada vez que assistia às reuniões do Instituto, do qual era membro correspondente, procurava conversar com o filósofo, e não perdia as suas aulas no Colégio de França, mas permancendo incógnito como simples discípulo.

    Numas da aulas, em que tratava do problema da escravidão, e percebendo a presença do Imperador, Franck disse:

    - Um grande Imperador moderno tomou a peito suprimir em seu vasto Império, a chaga social da escravião, que desonra a humanidade. Esse imperador filantropo e sábio não é um mito. Existe realmente e está cheio de vida, e percorrendo todas as capitais da Europa, estudanto as instituições e os costumes ocidentais. Podeis, senhores, vê-lo, falar-lhe e contemplar-lhe a face augusta. Ele está na Europa, na França, entre vós. Ele está ao vosso lado!

    Imediatamente todos voltaram-se para o Soberano, e o aplaudiram com entusiasmo. Foi uma cena tocante e admirável".

    Saiba mais sobre o Imperador Dom Pedro II que o mundo admirava e respeitava em: http://ibem.inf.br/rbi_lbx_43_entre.html

    ResponderExcluir