quarta-feira, 17 de março de 2010

Pensamentos




Às vezes eu fico pensando em como nós e o todo o resto da humanidade chegamos a este estágio evolutivo atual. O que tento refletir não diz respeito à evolução nos termos da teoria de Charles Darwin, que por acaso completou duzentos anos em 2009, mas sim sobre os paradoxos presentes na progressão do nosso entendimento de mundo e das nossas relações humanas ao longo da História. Claro que eu falo sem conhecimento específico de causa, já que sou um estudante de Engenharia, e não de História ou Sociologia, que são áreas que tratam a questão de forma mais profunda. Entretanto, esse é um tema que me intriga.

São vários os aspectos que me impressionam. Por exemplo, é difícil ter uma noção do quanto a arte, a ciência e a tecnologia evoluíram ao longo dos tempos. No entanto, é fácil de perceber que apenas uma pequena parte da população mundial tem acesso a este progresso. Em plena “Era da Informação”, aproximadamente um terço da humanidade ainda tem que sobreviver com a preocupação de conseguir suprir diariamente algumas condições básicas de subsistência, como comida e água potável. Em outras palavras, estas pessoas são forçadas a viver na "época das cavernas". A miséria ainda triunfa sobre o território de muitas nações. E, no geral, não há tom efetivo de preocupação com a extrema pobreza de alguns. Na verdade, na medida em que vamos formando nosso senso sobre a vida, tudo fica muito natural e existir miséria no mundo é um pensamento tão espantoso como existir gripe, por exemplo. Talvez este seja também o resultado da crença de que qualquer pessoa, no nosso sistema econômico, tem liberdade para melhorar suas condições de vida, desde que se empenhe neste projeto. Assim a responsabilidade passa unicamente para as mãos do indivíduo. Nada disso nos soa estranho. Entretanto, se imaginarmos uma criança vivendo numa pequena aldeia na África, sem o mínimo necessário para a própria subsistência, é meio absurdo pensar que, desde que ela “se empenhe” no futuro, as condições em que vive melhorarão.

Outro fato interessante de ser notado é o progressivo aumento da exploração dos recursos naturais do planeta. Mesmo sendo uma causa inconciliável, a necessidade de manter uma economia em crescente desenvolvimento e a limitação dos recursos naturais, pouco se nota nos governos pelo mundo a disposição em adotar medidas efetivamente atuantes, em vista a promover a mudança mais que necessária para modelos sustentáveis de desenvolvimento. Situação análoga ocorre com relação às mudanças climáticas. As consequências do aquecimento global para o clima da Terra já vem sendo cientificamente estudadas e estimadas há anos e também se arrastam por igual período os debates, bem como os fracassos, para se buscar um acordo global de redução de emissões dos gases de efeito estufa.

Apesar das facilidades que a irrefreável guinada da tecnologia vem prometendo a cada novo produto lançado no mercado e da consolidação da “Era da Informação”, o que se faz prevalecer para a maioria da população é a desinformação e a subjugação a condições de vida cada vez mais duras, um fenômeno que parece ambíguo em muitos aspectos. Neste cenário não é surpresa que a educação e, desse modo, a formação da consciência crítica de cada um estejam diretamente condicionadas à lógica do processo de produção e consumo. Será o avanço da tecnologia o responsável? Creio que não seja assim tão simples a resposta, embora essa seja a ideia de muita gente.

Dentre os desafios que a humanidade está enxergando, cada vez mais urgentes de solução, com certeza estão o da adoção de um modelo socioeconômico que possa ser compatível com, e que traga, um cenário de menor desigualdade social e de sustentabilidade. Esse é um pensamento que pode até parecer utópico agora, entretanto qualquer análise lógica dos fatos conclui a mesma coisa. É apenas uma questão de tempo até que fatores, principalmente as mudanças climáticas, comecem a prejudicar de forma impactante os interesses econômicos de diversos países. A partir do momento em que as perdas afetarem o lucro das grandes empresas, haverá uma maior pressão política no sentido do estabelecimento de leis que obriguem a adoção de mecanismos de produção sustentáveis. Necessariamente também surgirão mecanismos para o controle do crescimento populacional mundial, que só poderão funcionar se vierem acompanhados de melhorias sociais para as populações dos países em desenvolvimento. Entretanto, o grande dilema é: Não é possível saber se as mudanças virão no tempo hábil.


Edson Porto da Silva,

Graduando do curso de Engenharia Elétrica
Universidade Federal de Campina Grande - UFCG

2 comentários:

  1. Muito bom o texto e obrigada por ter comentado lá no blog. Como você o conheceu? Se pudermos manter contado, seria legal.
    Beijos e prazer, Gabriela.

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  2. Concordo com você 100%.

    As pessoas preferem acreditar que certas pessoas desfavorecidas financeiramente estão nessa situação por falta de "coragem pra lutar". Caso que algumas vezes até ocorre, mas não é a maioria dos casos e muito menos a sua totalidade.

    Não acredito de forma alguma que o desenvolvimento da ciência e da tecnologia seja o culpado por todas essas discrepâncias entre o mundo. Esse desenvolvimento pode ser imaginado como uma faca, que pode ser utilizada tanto para o bem (cortar o alimento) quanto para o mal (machucar o outro). E infelizmente, o homem utilizou todo esse conhecimento para satisfazer a sua ganância e ser uma nova forma de tentar manipular os demais.


    Gostei demais do texto, amigo. =)
    Amo você! =*

    PS: Pra você não deixar de ver esse vídeo, tá aqui ó: http://www.youtube.com/watch#!v=hGW1zcw5sKM&feature=related

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